Da arte de fugir
Ela morava numa cidade pequena, interior de São Paulo.
O conheceu numa quermesse.
Namorou escondido, pois o pai nem a deixava sair de casa.
Naquele tempo moça só namorava com o consentimento do pai.
Só que o maior problema era a idade do moço,
mais de 20 anos mais velho que ela.
Na verdade, nem era amor o que ela sentia.
Até porque nem sabia o que era isso.
Amor de pai não conhecera, de mãe até que teve, mas a total submissão da mãe ante a braveza do pai sempre a fez achar que os dois eram iguais.
Assim, gostou do moço que a cortejou frente ao carrinho de pipoca e a fez pela primeira vez na vida se sentir desejada e importante.
O moço até que era um bom rapaz.
Na verdade, era um senhor.
Ela 20 e ele 40.
A família dele tinha umas posses na cidade, mas ele era de uma simplicidade tamanha que dava até pena.
Não falava, e quando falava era para concordar com alguém.
Um sem opinião. Mas era um bom homem.
Casaram-se.
Ela brigada com o pai.
Que nunca seria feliz no casamento, disse o velho agourento.
Que nunca olharia para seus filhos e que sumisse de lá.
E a coitadinha chorou até secar.
Passados mais de vinte anos, ela não enricou.
Teve filhos, desilusões, alegrias, dor e alguma paz.
Trabalha, paga as contas, atrasa outras e ainda sonha.
Às vezes se imagina dama.
Como teria sido se não tivesse fugido de casa.
Estaria bem de vida, é certo.
Mas, ao final, não se arrepende.
Diz pra si que faria tudo de novo.
Que fugiria com ou sem príncipe, rumo, sonho, paixão, desejo.
Fugiria só.
Correndo contra o vento até travar as pernas.
Aí deitada e olhando o céu, ficaria o resto do dia.
Até o resto do mês, do ano, do século.
Até a terra cobrir seu pequeno corpo e ela voltar
transformada em flor.
Nesse dia, em forma de pétala, fugiria na primeira rajada de vento.
E fugiria pra sempre.
O conheceu numa quermesse.
Namorou escondido, pois o pai nem a deixava sair de casa.
Naquele tempo moça só namorava com o consentimento do pai.
Só que o maior problema era a idade do moço,
mais de 20 anos mais velho que ela.
Na verdade, nem era amor o que ela sentia.
Até porque nem sabia o que era isso.
Amor de pai não conhecera, de mãe até que teve, mas a total submissão da mãe ante a braveza do pai sempre a fez achar que os dois eram iguais.
Assim, gostou do moço que a cortejou frente ao carrinho de pipoca e a fez pela primeira vez na vida se sentir desejada e importante.
O moço até que era um bom rapaz.
Na verdade, era um senhor.
Ela 20 e ele 40.
A família dele tinha umas posses na cidade, mas ele era de uma simplicidade tamanha que dava até pena.
Não falava, e quando falava era para concordar com alguém.
Um sem opinião. Mas era um bom homem.
Casaram-se.
Ela brigada com o pai.
Que nunca seria feliz no casamento, disse o velho agourento.
Que nunca olharia para seus filhos e que sumisse de lá.
E a coitadinha chorou até secar.
Passados mais de vinte anos, ela não enricou.
Teve filhos, desilusões, alegrias, dor e alguma paz.
Trabalha, paga as contas, atrasa outras e ainda sonha.
Às vezes se imagina dama.
Como teria sido se não tivesse fugido de casa.
Estaria bem de vida, é certo.
Mas, ao final, não se arrepende.
Diz pra si que faria tudo de novo.
Que fugiria com ou sem príncipe, rumo, sonho, paixão, desejo.
Fugiria só.
Correndo contra o vento até travar as pernas.
Aí deitada e olhando o céu, ficaria o resto do dia.
Até o resto do mês, do ano, do século.
Até a terra cobrir seu pequeno corpo e ela voltar
transformada em flor.
Nesse dia, em forma de pétala, fugiria na primeira rajada de vento.
E fugiria pra sempre.
